30 de Abril - Dia do Ferroviário
Reestruturar o sistema ferroviário é exigência histórica
O caos do transporte rodoviário brasileiro, gargalo que tira o sono dos especialistas em logística e das instituições responsáveis por organizaro trânsito e o tráfego de mercadorias pelo País, parece ser um resultado óbvio da falta de investimentos e do desmonte de outros modais, como o ferroviário.
É preciso lembrar que o Estado de São Paulo e a região de Campinas se tornaram potências econômicas no País apoiadas sobre a malha de transporte ferroviário. Todos, os mais velhos principalmente, se referem aos antigos prédios das estações ferroviárias da nossa região como centros pulsantes do desenvolvimento, do crescimento e da vida da sociedade até meados do século 20.
Hoje se fala muito da necessidade da reestruturação da malha ferroviária e da urgência de investimentos para recuperar o que tínhamos. Descoberta um tanto tardia, mas que reflete o erro cometido no passado da desmontagem do nosso sistema ferroviário.
Estou nesta discussão há quase 20 anos e sempre defendi a manutenção e os investimentos no setor. Fui contra a liquidação da Fepasa, uma negociata feita entre Covas e o governo federal, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, que enterrou a empresa e extinguiu praticamente a categoria. Categoria que é pioneira do desenvolvimento de Campinas, que tem raízes na cidade e deixou marcas ainda vistas na Vila Industrial, Botafogo, Guabanara, bairros que cresceram em torno das linhas de ferro.
Desmontar o parque ferroviário foi uma grande perda para a nossa região. Quando vemos a atual discussão sobre a necessidade da reestruturação deste parque entre gente graúda que batia palmas frenéticas para o desmonte criminoso “apresentado como modernidade”, só podemos entender como confissão de que tudo que fizemos para mantê-lo de pé estava correto. Talvez sejam remorsos envergonhados de quem não quer assumir sua culpa.
A região de Campinas tem vocação para incorporar este modelo de transporte ao seus sistemas logísticos, por ser único entroncamento rodo-aero-hidro-ferroviário completo do Brasil. No município de Campinas temos algumas inciativas neste sentido que tenho acompanhado, como a do novo Terminal Intermodal rodoviário metropolitano e ferroviário ligando com o Aeroporto Internacional de Viracopos e o futuro Trem de Alta Velocidade (TAV), que conectará Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro. Uma iniciativa do governo Lula que deve ser seguida pelas próximas gerações de governantes, com apoio da população.
Quem quiser pensar o Brasil do futuro terá que pensar na multimodalidade do transporte, com caminhão, trem, avião e barco. As nossas rodovias não suportam mais o tráfego e o desenvolvimento do País clama pela multimodalidade, isso sem falar nas soluções ambientais e sociais positivas que a variedade de meios de transporte proporcionará.
Sem pessimismo, é preciso dizer que o crime contra o sistema ferroviário foi feito e, agora, que a história mostrou o erro, é preciso consertá-lo. Estaremos sempre ao lado destes trabalhadores, do sindicato e daqueles que quiserem ajudar na retomada da ferrovias.
Por fim, parabéns aos ferroviários pelo seu dia, comerado neste 30 de abril. Desejo que esta data seja também lembrada pela retomada do orgulho do setor e desta categoria de lutadores.
Sérgio Benassi